O encerramento do processo de falência do Grupo João Lyra, determinado pela Justiça de Alagoas no mês de junho, gerou preocupação entre milhares de trabalhadores rurais que vivem em áreas das usinas Laginha e Guaxuma. Com a decisão, cerca de 5 mil famílias ligadas a movimentos do campo passaram a ser notificadas para deixar os terrenos ocupados, reacendendo o conflito fundiário no estado.
Em protesto contra as notificações de desocupação, mais de mil trabalhadores montaram um acampamento em frente ao Palácio República dos Palmares, em Maceió, e realizaram uma caminhada até o Tribunal de Justiça de Alagoas. As famílias afirmam que vivem nas áreas há mais de uma década, onde desenvolvem atividades agrícolas voltadas à produção de alimentos comercializados em feiras livres, da agricultura familiar e agroecológicas.
Os movimentos sociais defendem que as terras pertencentes ao antigo Grupo João Lyra sejam destinadas à reforma agrária e cobram a suspensão das remoções. Além disso, reivindicam uma reunião com representantes do Governo Federal, entre eles o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a ministra do Desenvolvimento Agrário, para buscar uma solução definitiva para a situação das famílias.
O impasse tem origem em um acordo firmado em 2016 entre o Tribunal de Justiça de Alagoas, o Governo do Estado e os administradores da massa falida. Segundo os movimentos, o compromisso previa a destinação de áreas das usinas Laginha e Guaxuma para assentamento das famílias, medida que, segundo eles, nunca foi efetivamente concretizada. O Incra informou que segue buscando alternativas para aquisição das terras, mas afirmou que ainda não houve consenso para a negociação, enquanto a questão continua sendo analisada pela Justiça.