País registra marco inédito: cerca de 48 milhões de pessoas vivem em famílias atendidas pelo Bolsa Família, enquanto o Brasil soma 39 milhões de empregos formais.
Criado em 2003 com 3,6 milhões de famílias, o programa chegou a 14 milhões em 2013 e alcança 21 milhões de famílias em 2025, crescimento de mais de 13 vezes. Já o emprego com carteira assinada passou de 29 milhões em 2003 para 39 milhões hoje, aumento de apenas 1,3 vez.
Em estados como Bahia,Pernambuco, Pará, Maranhão e Piauí, o número de beneficiários já supera o de trabalhadores formais, evidenciando dificuldades estruturais na geração de emprego.
O Bolsa Família é uma política essencial no combate à pobreza. Ao longo dos anos, governos destacaram que milhões de brasileiros deixaram a linha da pobreza. Isso ocorreu principalmente por aumento direto de renda nas famílias, via transferência de recursos, valorização do salário mínimo e ampliação do crédito. Esses fatores elevam rapidamente o padrão de renda medido pelas estatísticas.
Mas economistas apontam um ponto de atenção: elevar renda não é o mesmo que garantir saída estrutural da pobreza. Quando crescimento da assistência não vem acompanhado de expansão consistente do emprego formal, da qualificação profissional e da produtividade, o país passa a depender cada vez mais do orçamento público para manter o mesmo nível de bem-estar.
O programa tem custo estimado de R$ 169 bilhões por ano, financiado principalmente por impostos pagos por trabalhadores, empresas e consumidores.
O debate que surge não é sobre acabar com a assistência, e sim sobre como transformar proteção social em caminho para autonomia, ampliando oportunidades de trabalho e renda sustentável no longo prazo.